Bullet Journal [versão troll]

Esse post é sobre Bullet Journal, um método de tomar notas rápidas em um caderno com uma caneta, originalmente desenvolvido por um cara chamado Ryder Carroll. Logo ele se tornou uma febre na comunidade criativa e eu entrei na onda, embora eu faça um Bullet Journal versão troll!

No vídeo abaixo você pode ver a versão original do Bullet Journal. O método é muito sintético e até mesmo elegante.

A princípio o Bullet Journal é bastante simples. Pra começar um você precisa de um caderno e uma caneta, e nem precisa ser uma caneta especial nem nada. Até uma bic funciona.

Depois os Bullet do Ryder são baseados em um conjunto de princípios:

  • Index ou índice – duas ou mais páginas;
  • Future Log – Planos para o futuro, 2 pag;
  • Montly Log – Entrada do mês, 1 ou 2 páginas;
  • Daily Log – Entrada diária;
  • Key – as chaves de como você coloca as suas informações, um ponto, que é chamado de bullet – de onde veio o nome original desses cadernos – um círculo aberto pra compromisso ° e um sinal de maior que > e menor que < pra exportar os compromissos de um dia pro outro. Faltou um X pra marcar as atividades concluídas;

Mas o método original deu início a uma moda, e essa moda e daí um monte de pessoas começaram a fazer Bullets, ou melhor, Bujos (apelido pra Bullet Journal). Anotações simples se tornaram cada vez mais sofisticados e elaborados. Vou colocar um vídeo de um  aqui. Esse é o vídeo do canal da Boho Berry no youtube, pra vocês terem ideia de como um Bujo pode ficar estiloso

Aí você pode se perguntar, por que você deveria começar a fazer um Bullet Journal se o seu não vai ficar desse jeito?

A única maneira de responder a isso é bem simples na verdade. Mas é pessoal, a minha própria experiência. Eu sempre tive cadernos de anotações e diários, mas o problema é que eles não eram objetivos e não me ajudavam a resolver meus problemas do dia-a-dia. Quando eu comecei o meu primeiro bujo, eu não tinha muitas atividades, mas tinha muitos assuntos diferentes pra estudar e precisava ver, todos os dias, qual era a próxima coisa que eu deveria fazer.

A primeira coisa que aconteceu, entretanto, foi que eu tinha muitas informações (tinha lido e visto muitos vídeos sobre bullet journal) e não sabia como fazer para que o Bullet Journal funcionasse pra mim. Grande parte disso aconteceu porque eu não sei desenhar muito bem, e também não sou especialista em caligrafia e fazia as coisas bem mais ou menos. Portanto, eu errei muito antes de começar a fazer o meu Bujo.

Por isso mesmo aqui vão as minhas dicas pra começar:

  • Comece em um caderninho barato – eu não fiz isso, eu fiz um novo caderno especialmente para o Bullet Journal e depois de umas 20 páginas mudei de caderno essas fotos abaixo são do meu primeiro Bujo que não deu muito certo porque era, além de tudo, muito pequeno, as páginas eram a6;
  • Sempre use cadernos A5 ou maiores. Os moleskine são 14 x 12 cm, mas são caros demais, existem outras marcas que fazem cadernos legais e mais em conta. Há também a alternativa de fazer o seu próprio caderno e existem pessoas, artesãs como eu, que adoram fazer cadernos, logo, compre de quem faz AQUI!
  • Experimente por um tempo até você achar as coisas que funcionam mais pra você. No meu segundo Bujo eu experimentei muitas coisas, mas desisti dele porque as folhas eram muito finas, o papel era sulfite 75g:
  • Finalmente, comece a fazer o seu Bujo. Se você não desenha bem, faça como eu, recorte coisas. Faça o que te faz feliz. Uma coisa que essa experiência com o Bujo me ensinou foi que fazer Bullet Journal não serve só pra fazer com que você seja mais eficiente e organizada, pode ser uma experiência pra te deixar mais feliz. Toda a comunidade, todo mundo que faz um Bullet, tenta fazer anotações positivas, coisas que gostaríamos que acontecessem, pontos positivos em nós mesmos. Com o Bullet eu coloquei mais cor nos meus diários, me tornei mais eficiente, e estou escrevendo páginas de coisas que me deixam grata e feliz. Se você quer tomar uma direção mais positiva na vida, quer gastar um tempinho pensando em você mesma, quer organizar a sua seu dia-adia, fazer um Bujo pode ser a ferramenta que você está esperando pra realizar todas essas coisas;
  • A Trolll que fez esse post está ficando cada vez mais satisfeita com o Bullet versão Troll dela!

 

 

 

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Roadies 2016 – ShowTime

Sabe aquele programa, série ou novela em que você se sente tão conectado com os personagens que você queria, do fundo de seu coração, ser um deles?

Muito bem!roadiesposter-672x372.

Depois de assistir o piloto de Roadies, a nova série do Showtime, criada por  Cameron Crowe (que entre outros dirigiu o filme Quase Famosos de 2000) e produzida por  J. J. Abrams, Winnie Holzman e Bryan Burk, eu tive essa vontade.

A série trata da vida de um grupo de roadies, de gente que trabalha nos bastidores para que os shows de grandes e pequenas bandas aconteçam. Eles são responsáveis pela estrutura, pelo equipamento, pelo som, pelos instrumentos, pela segurança. Enfim: eles são responsáveis por tudo.

Na série Luke Wilson é Bill, produtor dos shows de uma banda fictícia chamada The Staton-House Band. Carla Gugino é Shelli, gerente produção da turnê e os dois estão cercados de pessoas que amam a banda, a estrada e o rock and roll.

Entre as personagens que são apresentados Kelly Ann (Imogen Poots) parece protagonizar o primeiro episódio, porque ela está com um pé na porta, uma passagem comprada pra Nova York, e uma bolsa de estudos parcial pra frequentar uma escola de cinema.Mais do que isso ela está descontente, porque no fundo, ela acha que a banda está perdendo o que é mais importante: o amor pela música.

O olhar dela,  seus sentimentos, parecem comandar as primeiras ações da série: uma espécie de crença de que a música é algo superior e que trabalhar pra que ela possa acontecer é especial.

Enfim, Kelly Ann  anda de skate pela estrutura dos bastidores do espetáculo enquanto ele está sendo montado, e a câmera acompanha (mencionei que a série é filmada com uma única câmera , a famosa single shot?) e num segundo, ela parece livre, honesta, cheia de propósito e sem nenhuma razão especial você acaba querendo ser um pouco ela.

Se a ficção não nos cativa o suficiente para nos identificarmos com as personagens, então, eu não sei bem para o que ela serve. Porém, deixo logo registrado que espero sinceramente que Roadies continue com brilho, e conquiste alguns outros fãs além de mim.

Esse é o trailer da série e nem preciso dizer que a trilha sonora é maravilhosa, preciso?

 

Roadies, 2016

Comédia, 50 minutos

ShowTime

 

 

Junk Journal e outras coisinhas

Recentemente fiz dois vídeos tutoriais para ensinar a fazer um Junk Journal… eu apelidei os meus cadernos de “cadernos de tudo”. Os cadernos que tenho feito são pequenas variações de varias várias ideais e trabalhos que eu vi, e são inspirados nos cadernos da minha amiga artista Ana Finicaluna. Que juntou livros usados e papel de  correspondência para fazer diarios espetaculares  de suas viagens ao oriente. Além disso, estou utilizando uma quantidade considerável das minhas pilhas de papéis inúteis… reaproveitando também o que eu juntei nas minhas próprias viagens…
Os vídeos ainda não são do jeito que eu gostaria,  mas estão avançando… Há uma arte em fazer tutoriais e agora que estou começando a aprender.

Parte I

Parte II

Oficina de Encadernação II

coptaOFICINAS – Oficina de encadernação em três módulos a ser realizada na fábrica de encantos, na Vila de Ponta Negra.

Módulo I: Long Stitch
Módulo II: Encadernação Copta
Módulo III: Encadernação Clássica

GRÁTIS – As oficinas serão oferecidas gratuitamente, com material incluso.
POUCAS VAGAS – 12 vagas para cada módulo. Cada módulo compreenderá uma oficina para a fabricação artesanal de um caderno.
TODOS OS PÚBLICOS – Essa oficina é aberta a todas as pessoas interessadas, mas para realizar a inscrição é necessário preencher o formulário que está disponível nesse evento até dia 10/10/2015;
MAIORES DE 14 ANOS – Apenas maiores de 14 poderão se inscrever;
A lista com as inscrições aceitas estará disponível nesse evento até o dia 20/10/2015;
Para maiores informações entre em contato por aqui, ou pelo e-mail: mairaleal@gmail.com

Programação das Oficinas

Módulo I – Domingo 18/10/2015
Início: 08:00
Intervalo: 12:00 – 13:00
Encerramento: 18:00

Módulo II – Segunda e terça – 26/10/2015 e 28/10/2015
Início 19h
Encerramento 22h

Módulo III – Quarta e Quinta 28/10/2015 e 29/10/2015
Início 19h
Encerramento 22h

Exposição das Encadernações e encerramento das oficinas
Sexta 30/10/2015
Início 19h
Encerramento 22h

notas sobre camaradagem e presença

Comecei esse blog um tempo atrás pra escrever crônicas e críticas em primeira pessoa. (se você não quer saber nada disso, passe direito para o texto após a imagem) De certa forma ele sempre esteve conectado com as coisas que faziam parte do meu cotidiano e que me interessavam intelectualmente. Sempre achei que filmes eram a melhor forma de expressar ideias e que música pop é a única forma de composição poética relevante para a nossa época. Até escrevi sobre uns livros, mas não preciso enganar ninguém dizendo que sou uma coisa diferente do que eu sou. Entretanto, nunca escrevi aqui sobre um assunto que me interessa muito nunca esteve presente aqui, o rugby.

Existem algumas razões para isso. A primeira é que sempre achei que ele e minha vida “cultural” não combinavam, recentemente entretanto, percebi que o esporte faz parte da minha vida “cultural” tanto quanto o último livro que eu li. Na verdade se eu fosse ser absolutamente sincera, o rugby feminino é mais central na minha vida cultural hoje do que o último filme que eu vi. A segunda razão é que eu achava que o esporte de uma maneira geral não combinava com o meu comentário midiático, porque esporte não era o mesmo que a música e o cinema. Um engano se você pensar que o esporte como espetáculo hoje é mais importante (se não mais) do que boa parte da indústria cultural (música, cinema, etc).  Portanto, tanto o rugby faz parte da minha vida cultural quanto da minha crítica intelectual sobre cultura.

Embora eu tenha escrito  algumas vezes com o objetivo de divulgar o esporte e informar leitores, o que eu mais gosto de escrever sobre rugby são crônicas do dia a dia, comentários gerais sobre rugby feminino e liderança feminina no rugby, e adoro simplesmente adoro escrever sobre a seleção feminina de rugby do Brasil e é um alívio poder escrever em primeira pessoa, me perdoem, mas imparcialidade é mais um mito do que algo real. O lugar onde eu publicava minhas crônicas sobre rugby feminino deixou de existir (saudades Rugby Feminino Brasil) e achei que deveria finalmente escrever as minhas coisas por aqui.

Presença e Camaradagem

rugby girls

No primeiro (de muitos, dedos cruzados) post sobre rugby feminino queria falar sobre o quanto realmente apoiamos o esporte feminino. Pensei nisso como uma autocrítica mesmo. Depois de um exaustivo treino de domingo (é verdade o que dizem, a exaustão do corpo pode ser benéfica para o cérebro) eu parei para oferecer carona para duas meninas e um menino que estavam caminhando pra sair do campus. As duas meninas jogavam basquete, tinham acabado de jogar contra a  UFRN e voltavam para a parada de ônibus do outro lado do campos à pé, porque domingo o ônibus circular não passa. Quando parei pensei em quantas vezes eu tinha feito a mesma coisa (pensei que não deveria ser tão difícil ser atleta, mas isso é assunto pra outra ocasião). Mas o que mais me impressionou na história toda é que eu não fazia a menor ideia de que estava tendo jogo de basquete feminino no ginásio.

Eu poderia começar esse texto reclamando que embora tenham ido para a primeira competição de karatê do meu irmão mais velho, meus pais nunca foram pra um jogo meu (mi mi mi/medo mortal da reação da minha mãe onça pintada da Amazônia se uma menina me tackleasse), mas esse post é e não é sobre igualdade da atenção familiar, ou mesmo sobre a tratamento diferenciado que o esporte masculino recebe da mídia e das pessoas. Quero falar sobre a atenção que nós mesmas damos ao esporte feminino, é sobre camaradagem e presença.  Pra começar é necessário refletir: quantas vezes eu estive envolvida com um evento esportivo feminino em outra capacidade que não fosse atleta? Quantas vezes parei para assistir um jogo feminino de qualquer esporte que não fosse o que eu pratico na televisão? Quantas vezes fui à um ginásio, um campo, uma quadra de tênis, uma linha de chegada, à um ringue ou octógono? Quando comprei uma rifa de outro time, quando contribui para uma vaquinha?

A verdade é que a minha resposta pra essas perguntas não é perfeita. Em alguns aspectos contribui com o rugby feminino, sou atleta, agora mais do que nunca porque sou mais velha, mas já fui coach e apitei partidas, dei dinheiro para vaquinhas e comprei rifas. Além disso, sou presidente do meu clube, mas as minhas contribuições são de certa forma, egoístas. Defendo a seleção do meu esporte, mas se você perguntar pra mim como estão as seleções dos outros esportes, eu não faço a menor ideia. O que isso quer dizer?

No mínimo, quer dizer que o apoio que eu gostaria de ter para o meu esporte, eu não dou para o esporte dos outros. As vezes não dou nem para o meu próprio esporte quando o meu clube não está envolvido. Será que apenas o rugby feminino é merecedor da camaradagem e da presença feminina?

É claro que a gente pode dizer que o que fazemos pelo nosso esporte ocupa todo o nosso tempo livre, mas a verdade é que a gente quer o que a gente coletivamente, como mulheres, não encontra uma forma de fazer. A gente quer apoioo mas não sabe apoiar. Metade da população é do sexo feminino, mas é difícil encontrar uma meia dúzia que não estejam envolvidas com o esporte que o apoiem. Não apenas as nossas mães e irmãs, primas e amigas. Somos nós mulheres que reproduzimos a cultura de que mulher não deveria praticar esporte e que se o fazemos não somos tão femininas assim. Somos nós que reproduzimos preconceitos contra as atletas de outros esportes, “frescas” “machonas” e por aí vai.  Coletivamente nos falta união e também camaradagem.

Durante a transmissão o último jogo do famoso Six Nations, o jogo da Inglaterra contra a França, uma assinante perguntou para o comentarista quando a ESPN transmitiria um jogo do Six Nations feminino e a pergunta ficou sem nenhuma resposta. Ou seja, enquanto a gente não se unir para fazer pressão por igualdade na mídia, enquanto a gente achar que o problema dos outros esportes é dos outros esportes, as outras mulheres dos outros esportes pensarão o mesmo de nós, e mais respostas como essa ficaram sem ser dadas. Menos a gente vai conseguir.

Em 2007 as Nações Unidas publicaram um texto intitulado Mulher, Gênero e Igualdade no Esporte, com o intuito de promover os objetivos da declaração dos jogos de Beijing e a da plataforma de ação estabelecida durante os Jogos Olímpicos na capital chinesa. No texto,  além de definir o exercício do esporte como um direito humano, fala-se como o esporte é importante para criação e desenvolvimento de lideranças femininas e chama atenção para o fato de que “a pouca representatividade das mulheres em áreas de tomada de decisão em áreas de arte, cultura, esporte, mídia, educação, religião e direito impedem mulheres de terem um impacto significante em instituições importantes.”

Como fãs de esporte esperamos que jogadas espetaculares e lindas aconteçam em todos os esportes femininos nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Esperamos jogos geniais e esperamos ser surpreendidos positivamente por atletas que nós nunca vimos… agora quanto tempo uma atleta olímpica treina e joga, o quanto ela se prepara para chegar naquele nível de desempenho?

Precisamos ser criticas em relação a nossa maneira de ver o esporte feminino também, porque no final das contas o apoio não é necessário quando a cobertura da mídia é certa. A presença não é necessária no momento de glória. A camaradagem é necessária para quem está jogando hoje nas nossas próprias cidades, onde é necessário andar meia hora para chegar na quadra ou no campo. Precisamos apoiar não apenas os nossos times, dos nossos esportes, mas também precisamos fazer pressão para que tenhamos uma comentarista mulher em todos os esportes femininos. Precisamos colocar mulheres em posições de tomada de decisão para todos os  esportes. Precisamos apoiar mulheres como juízas e como treinadoras, preparadoras físicas, managers e psicólogas do esporte. Precisamos parar de reproduzir estereótipos e chamar as mulheres dos outros esportes e dos outros times de vacas, vadias, trombadinhas, encrenqueiras, frescas, viadinhas etc.

Mais do que tudo, precisamos, ou ao menos eu tenho certeza de que eu preciso, estender a minha camaradagem para as mulheres em outros esportes além do rugby – metade das meninas que já treinaram comigo também vinham de outros esportes e não me lembro de ter ido nunca vê-las disputando o outro esporte. Aquela “presença”, ou seja, aparecer no lugar, torcer para o time,  é importante em qualquer nível de esporte feminino, mas ela é mais relevante, quando não há ninguém mais, quando nos sentimos desencorajadas. Na glória um parabéns desaparece entre muitos outros. Num dia difícil um “boa sorte” ou alguém gritando “vamos lá” faz toda a diferença. Ao invés de nos focarmos apenas nos nossos esportes, e nos momentos grandiosos, é necessário apoiar o dia-a-dia, compreender a dificuldade, estar presente nos momentos insignificantes, na esperança de que essa presença seja propulsora de um momento espetacular para o esporte feminino no futuro.

Filmes pequenos, finais felizes.

not  happyNot another happy ending (2013) é um filme… indie.  Essa é a melhor maneira de descrevê-lo. Na verdade essa é a melhor maneira de descrever a última leva de filmes que assisti. O filme escocês de Jonh McCay foi feito com grana levantada por uma crowdfound,no site indiegogo. Nessa ocasião o filme levantou 22.660,00 dólares e  produtora do filme Claire Mundell saiu procurando recursos em todos os lugares pra realiza-lo. No final das contas os curtos recursos resultaram em um filme precioso que conta a história de um editor de livros e sua escritora que não consegue escrever seu segundo romance porque está bloqueada.

Jane Lockard (Karen Gillian, que pode ser vista também na série Selfie) é uma jovem e excêntrica escritora em busca de uma editora para publicar o seu primeiro livro. Após ser rejeitada por vários editores, ela encontra o também excêntrico editor francês Tom Duvall (Stanley Weber – o papel teve que ser alterado para que o ator fosse acomodado como Tom e houvesse uma explicação para a presença de um francês em Glasgow) que muda título do livro de Jane para Happy End (Final Feliz) e com isso cria o principal conflito da trama que é conduzida ao desfecho clássico das comédias românticas .

Para quem conhece Glasgow ou alguma de suas tendências culturais, o filme é um retrato da moda vintage que envolve os jovens adultos do West End (o bairro cool e universitário de Glasgow), do jeito esperto e sem muito controle de falar de alguns escoceses. Além de tudo, especialmente na relação entre o pai e a filha, o filme mostra uma espécie de sensibilidade abrutalhada  e fria que encaixa perfeitamente na sensação geral que se tem quando se conhece a cidade de Glasgow.

Além disso, o filme parece ser ciente de sua eminente possibilidade perder o rumo para uma sátira de sua própria história, especialmente por causa da excentricidade de seus protagonistas. Mas se mantêm, com custoso esforço, em uma realidade um pouco extendida,não exatamente a nossa, mas uma versão dela.

Na história Jane é uma mulher de vinte e poucos anos, talentosa, esperta e com uma capacidade de falar rápido demais e interromper sua verborragia com pausas cômicas. Por mais pitorescos que os personagens sejam e por maior que seja variação da qualidade das atuações – que no caso de Karen Gillian estava no equilíbrio correto entre fantástico e crível – é um filme bem feito. Not a happy Ending é uma dessas coisas que você se sente feliz por ver. Feliz porque um grupo de pessoas se esforçou pra fazer e porque no final das contas dá uma saudade desgraçada de Glasgow.

A beneficiária dos desejos de feliz aniversário.

Eu adoro o meu aniversário. Não é nenhuma novidade. Muita gente adora o próprio aniversário, mas tem gente que detesta. Eu adoro. Não sei se é porque há uma pressão social para que você se sinta feliz, mas em geral, ultimamente eu me sinto muito feliz.
Nada extraordinário aconteceu ainda. Vou fazer uma festa no sábado, na verdade vou fazer a festa, mas não tenho certeza do resultado da festa, mas convenhamos, não tenho certeza de quase nada.
Pensei no que fazer para agradecer todos os posts e recados carinhosos que recebi. Minha irmã me contou certa vez que nos Estados Unidos as pessoas são grandes fãs de cartões de agradecimento, e quando você ganha alguma coisa ou alguém te ajuda com algo, você escreve um cartão de agradecimento. Por isso, pra todos vocês que me escreveram mensagens e que pensam em mim, obrigada.
Nesse ano passado, tanta coisa aconteceu e eu fiz acontecer tanta coisa que não sei por onde começar a agradecer. Esse ano – da minha vida, que não respeita o calendário – eu conheci a Espanha com o grande Pepito. Eu visitei meu irmão na encantadora Glasgow e eu conversei um pouco com a minha cunhada. Fiz sabonete com a vizinha italiana dele, Elena, e brinquei com o filho dela, Marco. Eu estava longe quando meu irmão se tornou doutor, mas nunca estive mais próxima. Eu andei com minha mãe pela Europa aproveitando todos os momentos em que estive com ela.
Eu tive reuniões de trabalho, algumas tão importantes… e outras tão enfadonhas.
Esse ano eu tive dificuldades, tive dúvidas, fiquei sem dinheiro. Esse ano eu construí minha própria toca, e seu José Ari me ajudou. Eu também fiz meus cadernos, investi na minha pequena fábrica e pensei várias vezes que talvez tudo daria certo. Algumas coisas deram, outras não. Eu fiz cadernos para um monte de amigos, e vendi outros muitos para eles também.
Me tornei empresária e tive mais de 50 hóspedes no meu Albergue durante a copa do mundo. Alguns maravilhosos e animados, como o Agustin e Andres, Gabriel e todos os mexicanos queridos. A Anjali e todos os seus amigos. O James, e Marc, o Gabe e o Cody, o Jamie, Tim, Dan, Matt e Billie. Ernesto, … tive hóspedes não geniais, mas esses não precisam ser mencionados, os mais queridos é que merecem menção.
Nesse ao tive grande força, mas também tive momentos de grande fragilidade. Pela primeira vez perdi alguém que eu amava sabendo o que isso significava. Antes, tinha perdido meu avô aos 10 anos, mas não senti a sua partida como minha. A partida de um jovem amigo, de um homem de bom coração, de alguém tão generoso é de partir o coração. Esse ano meu coração se partiu.
Esse ano eu ajudei e fui ajudada, escrevi uns três projetos de doutorado, e Kenia me encontrou no meio do mundo pra me dar uma ajuda. Ainda não mandei nenhum, mas quem sabe qual vai vingar?
Esse ano eu fui generalista com meu amor. Amei muitas pessoas generosamente e nenhuma especialmente. Talvez seja de encontrar uma especialização – por razões de saúde, segundo meu irmão.


Esse ano eu descobri que faltam poucas coisas pra ter tudo que eu quero. E com chave de ouro recebi um telefonema de minha melhor amiga pra começar os trabalhos e um da outra melhor amiga pra encerrar. Nesse último ano aprendi que a vida é maravilhosa até nas dificuldades e nos desesperos. E sem querer bancar a mártir… esse ano eu descobri que pra viver, é preciso sofrer um pouco.
Nesses trinta, minha família maravilhosa esteve unida debaixo do mesmo teto, e agora só nos resta esperar os filhos, porque eu caí da régua, o relógio biológico só bate até uma certa idade e agora que estou mais velha, estou mais ambiciosa e sem vergonha vou dizer, eu quero tudo sim.

Obrigada do fundo do meu coração, pela lembrança, pelo amor.

Será que somos um povo de casa pequena?

Hoje foi um dia daqueles.

Começamos a planejar a obra na mini-casa que temos no quintal. É um projeto ousado para dizer o mínimo. Nos últimos dias tenho feito vários desenhos e nenhum deles tinha ficado perfeito. A obra tem que ter duas características que as obras geralmente não têm: ela tem que ser barata e tem que ser rápida. Sem falar que não temos arquiteto ou construtor. Temos um Ari que é um faz tudo. Eu que posso fazer algumas coisas e meus pais que não tem mais idade pra carregar peso (Meu pai vai fazer 70 anos esse ano, e minha mãe terá 65).

Decidimos também não usar nenhum material desnecessário, e aproveitar os rios de coisas que já temos. Essa não é a nossa primeira obra. E depois de tantas obras, não temos assim tanto dinheiro.

Moro com os meus pais, Graça e Antonio, numa enorme casa que foi construida entre 1995-1998 para ter 7 quartos. Cada um de nós, eu e meus irmãos, teríamos os nossos próprios quartos, e nossos pais também. No projeto original, teríamos 3 ateliers para produzir as nossas obras  – minha mãe é uma artesã de mão cheia – e os nossos livros – já que meu pai é escritor e nós, eu e meus irmãos, aprendemos a editar livros em casa.

Os anos passaram e fizemos algumas modificações na residência, imaginando que poderíamos alugar os quartos como pequenos apartamentos, e por algum tempo isso deu certo. O problema é que ficávamos longe da nossa propriedade e pagávamos aluguel, ou seja, quase todo o dinheiro que fazíamos da nossa casa, era usado para pagar aluguel e as contas da própria casa – sem falar que sempre tínhamos que fazer obras na casa porque os inquilinos nem sempre cuidavam dela como gostaríamos.

Quando viajei com minha prima pra visitar meu irmão, há três anos atrás, me hospedei pela primeira vez em um albergue. Desde então, venho conversando sobre a possibilidade de transformar a nossa casa em um. Há cerca de um ano, meu pai encarou o projeto de fazer um grande investimento em mobília e restauração da casa, pra transformá-la em um albergue.

Assim nasceu o Leal Companheiro (www.lealcompanheiro.com) e parte da casa já funciona como albergue. Nós três, entretanto, ainda ocupamos três dos quartos da propriedade, meu irmão mais velho e o mais novo não moram conosco.

Nesses dois primeiros meses como donos de albergue percebemos que precisamos do espaço para oferecer mais leitos, entretanto, não podemos nos mudar, porque não faz sentido pagar aluguel- sem falar que não temos mais empregados, portanto, somos responsáveis pela administração do nosso próprio negócio. Ao mesmo tempo, temos separar as nossas vidas do nosso negócio.

Como fazer pra isso tudo funcionar?

Depois de olhar e olhar a pequena casinha que temos no Quintal, eu resolvi que ia me mudar pra ela. Antes do final desse mês de janeiro. Minha mãe se animou com a ideia e meu pai também e nós três vamos nos mudar pra lá. Hoje, como disse, fomos medir e olhar a casa, para planeja a obra.

Estava pensando nela e resolvendo coisas dos albergue o dia inteiro, e no início da noite saí para tomar café com duas amigas. Uma delas mencionou que eu deveria ver um documentário chamado We the tiny house people – tradução livre pra “nós o povo da mini-casa” um documentário feito por Kirsten Dirksen sobre casas e apartamentos mínimos nos Estados Unidos e na Europa. Abaixo vou anexar o documentário, e estou pedindo autorização da autora, para fazer legendas em português, então, espero que possamos tê-las logo, porque o documentário é em inglês – a maior parte dele, ao menos.

O que o filme e a ideia por trás dele me ensinou foi o seguinte: eu não estava muito longe quando pensei que nós três – eu e os meus pais, pudéssemos nos mudar para nossa casinha no quintal, e agora, estou cada vez mais empolgada com a ideia. Mal posso esperar amanhecer para ver como aplicar novas ideias do filme. Enfim, pra quem não viu, é ótimo.

A gente pode viver com bem menos espaço, com menos coisas. Falando em coisas, vai rolar um enorme bazar antes do fim de tudo. Portanto, em breve posso estar anunciando a mudança para a nova casa, e a venda de muita coisa que não vai caber dentro dela.

Dallas Buyers Club

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Sempre achei que Matthew McConaughey era aquele cara que ia fazer aquele galã em todos os filmes até o fim da carreira e fiquei completamente abismada com a atuação dele em Dallas Buyers Club ou o Clube de compradores Dallas (2014,Jean-Marc Vallée). No filme ele interpreta um cowboy avariado que descobre que tem o vírus HIV e que segundo seu médico, tem 30 dias pra viver.

Diante da doença e da possibilidade iminente de morte Ron Woodroof ( Matthew McConaughey ) se torna um anti-herói homofóbico que busca formas de se tratar com remédios ainda não liberados por uma espécie de órgão que escolhe que drogas podem ser vendidas ao público, uma espécie de Anvisa estadunidense, chamada FDI.

Ao descobrir novas formas de se tratar ele começa a vender as mesmas drogas para outras pessoas também diagnosticadas com HIV e já sofrendo com os sintomas da AIDS. Para isso, ele conta com a ajuda de Rayon (Jared Leto, em uma atuação fantástica) um transsexual, nada mais nada menos,  que o ajuda a encontrar novos membros para um clube que dá aos seus membros remédios sem prescrição médica em troca de uma taxa mensal de $400,00.

A coisa mais fascinante do filme é que ele conta a história do ponto de vista do crescimento do personagem e que aproveita a imagem de galã de Matthew  e porque não dizer de Jared Leto também,   para desconstruí-las em dois distintos retratos: um de homem ignorante, texano, cowboy e outra, um homossexual viciado em drogas,com traços femininos e grande humanidade – duas pessoas morrendo por causa do vírus HIV.

Para isso, os dois atores adotaram a fórmula de Christian Bale no Operário – eles perderam peso e seus rostos ficaram deformados para comunicar o estado de saúde de seus personagens – e a mudança da imagem de cada um deles impressiona por sua brutalidade. Ela retrata  a luta desesperada dos dois para continuar vivos. Não é  e a disputa nos tribunais que carrega o filme, mas sim, a história dos dois seres humanos transformados, em mais de uma maneira, pela doença.

O Clube dos Compradores de Dallas está longe de ser um filme indie ou cult, foi feito para ser celebrado e possivelmente para dar Oscars aos seus distintos atores. Entretanto, é também um filme cativante e bonito, sobre pessoas que no pior momento de suas vidas mostram suas próprias caras.

Há pouco espaço para a atuação de Jennifer Garder como a Dra. Eve Saks, uma médica que se torna o objeto de desejo de Ron e que passa a apoiar a sua luta pra liberar o uso de diferentes drogas para os pacientes HIV positivo. Entretanto, a atuação de Jennifer é contida e esse uso tímido do espaço que lhe é provido, torna boa para o filme, porque ela permite que os dois personagens principais brilhem, funcionando como uma agente compadecida do destino deles.

Enfim, dizem que o filme estreia no final de janeiro por aqui, e como é de praxe, eu não esperei pra ver no cinema, mas se eu puder, vou. Porque O Clube de Compras de Dallas é mainstream, mas é bom.