Escrevendo sobre Filmes

Escrevendo sobre Filmes

Normalmente os cinéfilos se referem aos filmes ditos ‘de arte’ quando querem exibir o seu conhecimento. Um vasto conhecimento do cinema europeu, por exemplo, é fundamental para se manter vivo nos cafés e cineclubes, ao redor de uma mesa redonda com um café ou uma taça de vinho na mão. Na realidade, a aspiração à uma intelectualidade francesa nos ensinou a ver filmes e discutir filmes e isso não é, de maneira nenhuma uma coisa ruim. Porém, de vez enquando, falar de cinema como a sétima arte soa pouco genuíno. Um discursso empolado para falar de uma coisa cotidiana – assistir filmes.

Aqui parece que temos então, três questões diferentes:

Primeiro, quem gosta de filme não é necessariamente um intelectual à francesa. Da mesma maneira que não é necessário ser rico e de formação universitária para se gostar de Jazz.

Segundo, não há nada de errado em ver filmes pipoca, mas é preferível ver filmes que possam trazer algum tipo de contribuição pra sua existência. As histórias têm uma força poderosa desde a antiguidade. O drama, desde a tragédia grega até a nossa novela das oito, tem sido por milênios uma maneira de exercitar tanto a nossa imaginação quanto a nossa emoção (sejamos autores ou espectadores). Ou seja,  sentir é fundamental. Ver filmes não é  uma atividade apenas intelectual, de fato, ela pode ser uma união entre  a emoção e a racionalidade – em alguns, poucos, casamentos felizes isso acontece.

Por último, pode-se falar e /ou escrever sobre cinema não-europeu e é permito ser uma pessoa que gosta de filmes sem estar presa a necessidade de conhecer todos os filmes do Vittorio de Sica. O elemento a ser encontrado na análise de um filme possívelmente a próximidade que o filme tem com você.

Os filmes em muitos aspectos são como as pessoas: você pode encontrar com muitas e falar com muitas, pode sair com outras tantas. Possívelmente convida um número reduzido delas para uma festa na sua casa. Pode até convidar um punhado delas para passar a noite. Mas as vezes conta nos dedos as que quer ver na manhã seguinte.

Por isso que escreverei aqui sobre os filmes que me tocam, muito mais do que sobre os que são importantes, ou os que são sérios, ou europeus. Sobre aqueles que amanhecem comigo.

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